A nossa economia entrou em recessão

E agora o que os portugueses podem esperar?

Uma recessão nunca é um processo fácil. No fundo é como estudar: custa mas no final teremos os resultados pelos quais nos esforçamos. Com uma recessão é quase o mesmo. Alguns vão chumbar e ficar pelo caminho, outros irão passar e poucos irão passar com distinção.
Mas de facto se há algo do qual se tem falado nos últimos tempos é sobre a crise. Aí importa perguntar o que levou a esta recessão: a má política portuguesa antes da crise internacional ou apenas a crise?
A resposta é simples: a má política portuguesa. A crise internacional “apenas” fez com que o problema fosse maior mas não é o problema nem a origem do problema.
Numa recessão há sempre a separação do “trigo do joio” e por isso algumas empresas vão falir e outras irão florescer. É uma época de “arrumar a casa” a nível empresarial. O encerramento de mais empresas levará ao aumento da taxa de desemprego. As estimativas mais credíveis apontam para valores acima dos 11,5%!
As empresas irão cortar despesas, o que levará a que todos de uma maneira geral aumentem o seu nível de poupança. Mas a procura de novos mercados e a contracção da procura interna fará com que o país exporte mais e importe menos. É cada vez mais essencial que consumamos produtos nacionais.
Nestas circunstâncias o Estado é quem ameniza a queda: recebe menos impostos e contribuições e paga mais subsídios de desemprego e apoios sociais. Tal implica que o défice aumenta. Mas como sabem há neste momento um outro grande problema: o endividamento excessivo do Estado. Neste momento os credores de Portugal, ou seja, quem compra a dívida pública portuguesa reconhece a Portugal pouca capacidade para honrar os seus compromissos. Por isso o que fazem: exigem uma maior taxa de juro para compensar o seu maior risco. Como é lógico e sensato, afinal como qualquer um de nós faria.


Mas porque acham que o Estado pode não conseguir pagar os seus compromissos? Fundamentalmente por dois motivos: défice excessivo que demora algum tempo a reduzir e implica aumento do endividamento (9,5% em 2009) e taxas de crescimento muito baixas da riqueza (desde 2000 que Portugal cresce abaixo da União Europeia e com valores baixos). Mas o pior é que não há estimativas para que cresçamos acima nos próximos anos e este é um grande problema.
Assim sendo, Portugal terá que efectuar cortes brutais para tentar reduzir a dívida, isto nos próximos anos. Mas se o problema é crescimento deveríamos reduzir o défice e a dívida pública cortando fundamentalmente nas despesas e não por aumentos brutais de impostos que só farão de Portugal um país cada vez menos competitivo e cada vez mais afundado no seu próprio baixo crescimento. Os cortes seja de despesa, seja de receita, trarão sempre consigo algum efeito recessivo e por isso 2011 e parte de 2012 serão anos mais difíceis para todos. Mas importa dizer que para acabarmos com os erros que o país cometeu nos últimos anos precisamos, de reduzir o endividamento do Estado, de crescer acima da União Europeia, de reduzir o endividamento externo e aumentar a poupança da economia e por isso esta história não acabará aqui...

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Abstenção e perigo para a democracia

Não estamos colocar em risco um direito que nos assiste?

A Democracia é um regime de governo que tem por base que o poder de tomar decisões políticas reside na vontade popular. No caso mais comum, como o Português, por via indirecta, ou seja, por eleição de representantes populares que os representam, como os deputados.
Daqui se depreende rapidamente que não há democracia sem eleições livres. Se não há democracia sem eleições então o acto de votar deve ser encarado pelos cidadãos como o pilar fundamental para o regime democrático, seja ele uma República ou Monarquia Constitucional. Uma obrigação cívica para si e para com os seus pares.
Mas se assim é porque é que em Portugal se tem verificado um aumento cada vez maior da abstenção? Principalmente neste último acto eleitoral, a eleição do Chefe de Estado, o Presidente da República Portuguesa, com a abstenção a superar os 50%?
Muitas podem ser as razões, por exemplo, do ponto de vista técnico: erros diversos nos cadernos eleitorais que incluem cidadãos falecidos, emigrantes ainda registados nos cadernos e até situações em que a informatização originou um novo registo de um novo eleitor numa dada freguesia, mas o registo anterior não foi eliminado. Tal pode significar, segundo estimativas recentes na imprensa, mais de 1,25 milhões de eleitores. Se tal fosse ajustado a taxa de abstenção teria sido 46,4%!
Mas o que mais nos interessa é do ponto de vista político pensar porque é que as pessoas não foram votar pois, mesmo que o número real seja de 46,4%, este não deixa de ser significativo. E tal só pode ter duas interpretações: ou as pessoas julgaram que o resultado final não se iria alterar com o seu voto em particular ou não se identificam com o sistema político actual. Se a primeira pode colher alguma simpatia ela não explica uma taxa de abstenção em 2009 de 63,2% nas europeias, 40,3% nas legislativas e 41% nas autárquicas.
Na prática, mesmo retirando os tais 1,25 milhões de erros nos cadernos eleitorais, podemos verificar que há pelo menos 30% da população recenseada (2,6 milhões) que não vota. Este número não pode deixar de ser preocupante por tudo o que ele implica. Se dividirmos os cerca de 2,1 milhões de votos do PS de José Sócrates pelos cadernos ajustados de erros de 8,3 milhões verificamos que bastaram 25% dos votos para eleger um Governo e 42% dos lugares no Parlamento. Será que estas pessoas não têm consciência que se todos fossem votar passavam a ser o partido vencedor? Será que preferem governos ditatoriais?
Certamente os políticos também não podem ser completamente desresponsabilizados pois, a credibilidade de todo o sistema vem também do facto de se acreditar que aqueles que elegemos têm credibilidade para cumprir os seus programas eleitorais. Mas com tantas promessas quebradas, casos de corrupção e favorecimento, o sistema está claramente num dos seus pontos mais baixos.
E qual é a resposta dos eleitores a tamanho descrédito? A indiferença. Esta resposta poderia à partida parecer a óbvia, mas na verdade ela é destruidora, como se vê pelo facto de ser vencedor nas legislativas um partido com menos votos do que aqueles que optaram por ficar em casa, pois o afastamento dos eleitores não pune quem em vez de servir o Estado se tem servido do Estado. Pelo contrário, beneficia-os, pois dá-lhes uma sensação de impunidade pois à medida que os erros governativos, promessas quebradas e favorecimento ocorrem, as pessoas apenas se afastam e em vez de serem eleitos, por exemplo, com 3 milhões de votos passam a sê-lo com 2 milhões de votos, pois os eleitores quando se afastam fazem-no em descrença do sistema e tal acaba por prejudicar todos os partidos.
A solução só pode passar pelos eleitores pois, se eles não tiverem consciência de que o seu voto importa e não fizerem nada para mudar o sistema, seja pelo seu envolvimento em movimentos cívicos, pela criação de novos partidos, ou pela entrada destes descontentes nos partidos para mudarem o sistema por dentro, ou este irá apodrecer cada vez mais.
Se a vontade popular é a base da democracia esta só pode existir se for expressa pelo voto.

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Gente da Minha Terra - Ribatejo



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Espanhol técnico - Sócrates a discursar

Que "Portunhol" fluente...



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Inglês técnico - Sócrates / Bush

Um Inglês técnico excelente. Mas reparem principalmente como José Sócrates que quer dizer simpático diz "sympathetic" que não tem nada a ver, como podem ver pela definição do wikipedia abaixo. Para rir ou chorar?

The word sympathetic means different things in different contexts.
* In neurology and neuroscience, the sympathetic nervous system is a part of the autonomic nervous system.
* In music theory, sympathetic strings are strings on a musical instrument that resonate without contact.
* In psychology, sympathy is a feeling of compassion or identification with another.
* In religion, magic, and anthropology, sympathy is the belief that like affects like, that something can be influenced through its relationship with another thing.




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The Economist & Sócrates

Muito bom. Vejam este excerto:

SPANISH matadors kill bulls in the ring; the Portuguese put them down after the fight. When the Greek debt crisis threatened to engulf Iberia in May, Spain went in for the kill, slashing spending and freezing pensions. The more measured approach of José Sócrates, Portugal’s prime minister, involved limiting wage cuts to politicians and senior civil servants, increasing value-added tax and postponing big infrastructure projects. Spain’s quick moves helped it escape the storm. But Portugal’s borrowing costs soared to a euro-era record in September. Now Mr Sócrates has been forced to accept his mistake with a new austerity package at least as tough as Spain’s.

Se quiserem ler o artigo completo podem ver aqui.

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'Quem fez esta vigarice devia ir preso'

Manuela Ferreira Leite afirmou que "Este Orçamento é uma vigarice e os seus autores mereciam ser presos", na reunião do grupo parlamentar, em que, apesar disso, insistiu na defesa da abstenção.

Como há muito acho exactamente o mesmo aqui deixo o link para a notícia no jornal Sol.

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